domingo, 27 outubro, 2013

Tava pendurando as roupas do meu filho. Por acaso olhei as etiquetas. Uma parte delas é fabricada na China, outra no Camboja. As do Brasil devem ter sido feitas pelos bolivianos. Com certeza foram. É a globalização. Os governos comemoram o investimento e o superávit primário que vem atrelado com a bola de chumbo amarrada no tornozelo de cada pessoa que trabalha 20 horas por dia, todos os dias. Sábados e domingos? Só mais dois dias de trabalho, nada mais. Os chinas são os mais fodas. Praticamente tudo é feito lá, desde pinto de borracha até as pilhas pra ligar o brinquedinho. Ouvi que os chinas comem grilo, rato, cachorro, tudo que se mexe de alguma maneira. Os chinas estão indo bem rumo aos dois bilhões de olhinhos puxados. Acho que se somassem os chinas que não moram na China, já daria isso. Na rua aqui ao lado deve ter uns cinquenta deles. Você vai dizer que estou exagerando. É que na verdade a gente não nota porque tem a ideia errada que eles são todos iguais. Eles não são. Eu achava que eram, mas percebi que não. Cada vez que abre a porta do mercadinho – aqui todos os mercadinhos são dos chinas- saí uma criança diferente. Eles se reproduzem numa velocidade estonteante. Devem ser depois dos coelhos, os mais rápidos. To relendo um livro no qual o pai do Henry Chinaski diz para ele que – na época Henry é moleque ainda – os chinas são amarelos porque tomam mijo. Tem uma porrada de gente que toma mijo. Uns sabem e fazem dessa bizarrice o seu fetiche. Outros não sabem e continuam comprando aquela marca de leite, aquele suco famoso que emagrece. Tudo é o mesmo mijo, só vem de fontes diferentes. Então não tem nada demais em tomar mijo. O que tem demais é que os chinas formam a maior nação de escravos sobre a terra. Ninguém ganha deles. Por uma miséria você monta uma fábrica e faz o que bem entender por lá e vende a merda todo com um lucro de mais ou menos 500%. Os chinas precisam de trabalho. Os grilos e sapos devem estar sumindo por lá. Dia desses vi uma foto de uma cidade chinesa. Como Nova Déli, a cidade não tinha horizonte. O que se via era uma névoa que cobre tudo a cem metros de distância. É poluição o que se vê, se respira. Você toma banho, trepa, come, troca o pneu embaixo daquela merda toda de poluição. Dizem que vão arrumar, mas por enquanto custa muito caro e a China, a Índia e os brics todos têm de crescer, então que se fodam os pulmões, os paus e bucetas, as criancinhas de olhos puxados ou não, que se fodam. Enquanto houver arroz, há esperança. Que venha o progresso, com aquela fumaça pegajosa e nojenta, com o câncer aos 3 anos de idade. Que venha alegre e retumbante o progresso ganancioso que faz com que o mundo precise, se reproduza e aumente e precise e se desespere com a falta do não precisa e nunca vai ter. Que venha. Tenho um pouco de pena dos chinas, mas acho que se eles comprassem o arsenal que os americanos estão vendendo a gente tava fodido.


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