Dois passos para a esquerda. Mais dois para a direita. De que adianta todo esse ar se no final vou me afogar? Deveria ter asas, mas a perfeição não existe nem neste, nem em qualquer outro lugar. Olho para os olhos dela, que choram em silêncio. Me desespero em silêncio. Não tenho mais nenhum truque, nenhuma ilusão ou armadilha que convença que nos faça escapar. Nada que flutue ou que desapareça acima das nossas cabeças. Estamos diante de um espelho que reflete o seu outro lado, que distorce todos os sentidos, que amassa toda e qualquer existência, ali, bem na nossa frente e verso. Sou eu correndo agora, atravessando o milharal. Estou com as mãos amarradas nas costas. Tenho um grito preso nos pulmões que não quer sair, que não me deixa, não quer calar. Vou me afogar, eu sei. Em plena e plana terra firme, com meus dois pés bem cravados nela. Vou me afogar, em meio a todo esse ar…

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