Um lugar pra existir


Diretamente do inferno, apodreço em pedaços jogados ao acaso. Sob teus
pés, obcecado em entender o sentido, me perco entre destinos, entre
passagens que me transferem pouco a pouco pra mais perto do que eu
deveria ter podido ser, mas nunca tive coragem. Inexisto no começo.
Começo por perto do fim – que é quando me transformo na metáfora de
mim mesmo-, vestido pra um baile com a face da maldade estampada em
todo e qualquer gesto. Na ausência da gravidade, flutuo por toda e
qualquer brecha da tua realidade, por pequenos espaços dos teus
devaneios, pelos fios dos teus cabelos em embaraço – aqueles que se
desprendem e perdem-se para sempre, abandonados para bem longe de ti.
Desapareço. Desapercebo-me em desafeto. Sou nada e me aproveito de
nunca ter sido.

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