Enquanto a roupa seca no varal


Atravesso a vida. Dias e avenidas com carros nos dois sentidos, sem farol pra parar o tráfego. Meus pés doem – O cimento se alastrou pela corrente sanguínea, endurecendo extremidades. É um dia comum, com muito sol, mas comum. Neste dia, pessoas vão ao supermercado, outros morrem tentando alguma solução desesperada. Manco da perna direita, mas não estou  pedindo esmolas, não literalmente. Quatro pãezinhos, dois pra cada um. Nossa conta é sempre o dobro agora.  O agora é um longo caminho com um saco de pães quentes, esfriando. Poderia prestar concurso público, praqueles cargos que envolvem ficar sentado, cultivando hemorróidas e sendo desagradável. Poderia, mas não posso mais.  O cimento endureceu minha cabeça e não lembro como faz raíz quadrada. Não que isso seja necessário. É necessário, será? Tenho náuseas só de ver o chão passar por baixo dos meus pés. Tenho vertigens só de ohar pra cima, pro sol recortando a beirada longínqua da beira do poço. Aqui embaixo, pelo menos o ar é mais fresco.

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