Santiago


 

Foto jornal A Tarde

Fui para Santiago uma vez. Lá tem a casa do Neruda (La Chascona), que tem uma vida incrível em cada cômodo, cada parede e cada enfeite sobre a mesa ou prateleira, fotografias. Lá também tem  um povo muito bacana. Eles gostam dos brasileiros, do nosso futebol, da nossa cerveja e das nossas mulheres – os chilenos sabem o que é bom. Lá ouvi muitas piadas sobre argentinos – hilárias! Eles faziam de tudo pra nos deixar em casa – até pensei em ir morar lá e abrir uma pizzaria, pois as de lá não são boas. Aprendi a comer abacate com tudo. A comida deles é meio adocicada e foi bastante estranho no começo. Comi um caranguejo enorme, que esqueci o nome, que era caro pra caralho e que não tinha gosto de porra nenhuma – nem de caranguejo. Lembrei o nome, Centoia. Comi pastel de Choclo,que não tem nada a ver com o nosso pastel, é de milho, é doce, vem num caldeirão e eu odiei. Parrilada não comi – nem em Buenos Aires comi essa porra -, mas bebi pisco sur e quando perguntei qual era a melhor cerveja de lá responderam “qualquer uma brasileira”- a água de lá não ajuda, é meio oleosa e o Renatão Queje já tinha me alertado.  Em compensação, os vinhos e as frutas são de foder. Tem um restaurante giratório bem no centrão (Restaurante Giratório, Av. 11 de Septiembre 2250 Piso 16, Santiago, Chile, Tel: 2321827), perto do hotel e eu literalmente vi tudo girar. Estava tomando vinho ali com um casal de cariocas gente fina, apesar do cara ser Flamengo e eu Vasco. Fui para Vina del Mar e Valparaíso (mais uma casa de Neruda). Os cariocas entraram no oceano Pacífico, frio e escuro. Nada a ver com as nossas ensolaradas praias – outra brincadeira deles é dizer que as melhores praias do Chile ficam no nordeste brasileiro. Queria ver show de alguma banda de lá, mas fui num feriado e todas as casas de shows estavam fechadas e as bandas estavam tocando não sei onde. Vi uma exposicão da Frida Kahlo (Centro Cultural Palacio La Moneda) e do Diego Rivera, aliás, o Chile transpira cultura, como Buenos Aires.  Entendi porque Diego tinha “medo”da Frida, eu também teria. Vi uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus ser contida pela “máquina da repressão”, herança do Pinochet – tanques e jatos d’água e carabineiros por todo o lado, mas o povo não se intimida não. Fui ao Café Y Piernas, e a moça era realmente muito bonita. Andei muito a pé, pois Santiago é plana e só tem um morro (Cerro Santa Lucía) que os chilenos insistem em subir correndo, andando ou de bicicleta, com cestinhas para crianças e tudo. Tem um teleférico lá e é de dar medo. Andei de metrô, que é muito organizado, com o pessoal sempre cordial quando descobrem que você é brasileiro. Achei que estava milionário quando troquei dólares e Reais na casa de câmbio, pois o Peso chileno é bem desvalorizado em relação aos “dinheiros” mencionados (um Real equivale a duzentos e oitenta e seis Pesos, mais ou menos). Foi um puta passeio e é bem triste ver o lugar destruído, as pessoas que adoram brasileiros naquela situação. Sei que no Haiti também foi foda, mas eu nunca fui pro Haiti. Não tenho idéia do povo, da cultura, etc, e pela minha ignorância geral em  relação ao Haiti, senti muito mais a catástrofe que aconteceu no Chile, só isso. Vou torcer  pelos chilenos.  Eles vão sair desta e um dia volto pra beber e festejar e comer com os caras. Tenho certeza disso.

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