Sister Morphine conta


FIZEMOS UMA MÚSICA SOBRE A MORTE

E é a música mais divertida que a gente já fez. Não sei porque, apenas saiu assim e a gente deixou. Chama-se Dusty Trip, mas é cantada em português. O Pedro, filho do Sérgio Arara (guitarra da Fábrica), adora. Fica cantando o tempo todo. Eu andei muito largada por esses tempos (ainda estou, mas agora percebo). Saí com meu sobrinho e minha irmã no sábado e foi bom. Me aproximar tem sido bom. Acho que se eu correr bastante, sou capaz de me alcançar.

Dusty é sim a Dusty, a gatinha da Rosi, que eu conheci e aprendi a amar e se tornou a minha maior fonte de inspiração. Escrevia observando como a Dusty lidava com o mundo e os problemas que a cercavam. Dusty já emprestou seu nome pra uma banda (de rock?) que eu e o Ivan Santos e Igor Ribeiro fizemos lá atrás, e que eu gosto muito. Foram meus primeiros textos musicados pelo Ivan. Dusty tinha um temperamento horrível e anti-social pra caralho. Ela sabia das coisas.  Dusty teve seu nome inspirado em Dustin Hoffman – quando a Rosi a encontrou, num terreno baldio, em Londrina, num dia de chuva, abandonada, ela pareceu tão feinha que parecia o Dustin Hoffman. Sinto muito a falta dela, da gata “empoeirada”. Dusty nunca foi fácil. Mas quem disse que o céu está cheio de bons garotos & garotas?

Pular*

(para Dusty, que deu seu maior salto)

Pular,

Apenas pular

E sentir o ar passar por todo o corpo em queda

Passar pela camada de vapor

Olhar,

Os pedaços de cores se formando em frente

Distinguir o azul do resto do passado

Sublimar-se

Anoitecer-se

Entristecer-se

Virar,

Virar e desvirar

Para observar o vôo em toda sua amplitude

Prestar atenção nos detalhes

Pra que sempre

Que sentir necessidade, relembrar

Pular…

*Observando a Dusty andar, com a maior destreza, no parapeito da janela do décimo andar, no Ed. Tijucas, Curitiba, em 1986, acho.

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6 Responses to Sister Morphine conta

  1. Ô, se liga aí, malandrage. Tamo na ativa de novo a partir do dia 22/02 (ensaiando pra um acústico). Seguinte: tamo afim de tocar com vocês no Café Aurora, em um sábado mais adiante (março, abril, maio). Levanta essa? Vê aí. Acho que eu tô na área no Carnaval. Abs!

  2. Eliane disse:

    Ok, tenho que confessar que chorei. Vejo você falar da Dusty – que muitos devem achar “só um bicho” – e sinto uma imensa empatia. Estou muito a fim de ouvir essa música.

    • rkjazz disse:

      “bicho” são certas pessoas que a gente encontra pela vida, mas isso é outra história, Eliane. Só quem experimentou o amor incondicional deles sabe que a vida pode ser um pouco mais tolerável. a Dusty nunca será esquecida. Vou ver com o Ivan se ele tem uma gravação e te passo por mail, ok? é bem bonita. xe continue assim, Eliane. os gatos contam com a gente. bjo

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