Apocalipse


Uma usina de força a uns duzentos metros. Um barracão e dentro dele um bloco enorme de concreto. Plutônio é mesmo tudo isso que falam dele? O lugar não é mal. Um belo quintal – espaço, areia e mais espaço. Tô ansioso pra ver os coiotes. Foi por isso que aceitei o serviço. Trouxe duas máquinas fotográficas, filmadora e diversas lentes. A luz é ótima ao entardecer. Depois do jantar, caminho até a usina pra desligar o gerador e as estrelas começam a aparecer. Tomo banho quente, pois à noite faz um frio inacreditável. Ainda bem que trouxe um casaco, desses de campanha, bem quente e confortável. Estou a quinze horas de qualquer lugar habitado, então um avião vem mês sim outro não e lança meus mantimentos. Além da comida, dois litros, um de uísque e outro de vodca, dois pacotes de cigarro,  DVDs, revistas e livros também despencam do céu. É meu pequeno milagre. Tem dias que não acredito que estou aqui, cuidando daquele negócio que dizem ser perigoso, batendo fotos, ouvindo canções e lendo meus escritores prediletos. Começo a acreditar que o paraíso é uma bomba prestes a explodir e levar toda a beleza pelos ares. Deus deve ter seus motivos. Homens acreditam que têm.

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