Infelizmente, para sempre

Domingo, 11 Janeiro, 2009

Tolo foi homem que inventou as horas. E nós o seguimos cegamente, sem rumo, sem tempo, dentro de um lugar que não existe, que não faz sentido algum. Dentro deste tempo desperdiçamos momentos que custam horas que poderiam ser aproveitadas se não as contássemos como idiotas. Bons momentos que desperdiçamos esquecendo. Espertas são as flores, que tem o tempo certo para florescer e morrer, sem horas pra seguir, apenas a temperatura de um dia perfeito.


The Genius Of The Crowd

Sexta-feira, 23 Maio, 2008

 

The Genius Of The Crowd 
Charles Bukowski

there is enough treachery, hatred violence absurdity in the average
human being to supply any given army on any given day
and the best at murder are those who preach against it
and the best at hate are those who preach love
and the best at war finally are those who preach peace
those who preach god, need god
those who preach peace do not have peace
those who preach peace do not have love
beware the preachers
beware the knowers
beware those who are always reading books
beware those who either detest poverty
or are proud of it
beware those quick to praise
for they need praise in return
beware those who are quick to censor
they are afraid of what they do not know
beware those who seek constant crowds for
they are nothing alone
beware the average man the average woman
beware their love, their love is average
seeks average
but there is genius in their hatred
there is enough genius in their hatred to kill you
to kill anybody
not wanting solitude
not understanding solitude
they will attempt to destroy anything
that differs from their own
not being able to create art
they will not understand art
they will consider their failure as creators
only as a failure of the world
not being able to love fully
they will believe your love incomplete
and then they will hate you
and their hatred will be perfect
like a shining diamond
like a knife
like a mountain
like a tiger
like hemlock

their finest art

O GÊNIO DAS MULTIDÕES 
 
o que existe de falsidade, ódio, violência e absurdo na 
pessoa mediana é suficiente para abastecer qualquer 
exército em qualquer dia 
e os melhores no assassinato são aqueles que pregam contra 
ele 
e os melhores no ódio são aqueles que pregam o amor 
e os melhores na guerra por fim são aqueles que pregam a paz 
aqueles que pregam deus, precisam de deus 
aqueles que pregam a paz não têm paz 
aqueles que pregam o amor não têm amor 
cuidado com os pregadores 
cuidado com os sabe-tudo 
cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros 
cuidado com aqueles que ou detestam a pobreza 
ou têm orgulho dela 
cuidado com aqueles que elogiam facilmente 
porque precisam de elogios em troca 
cuidado com aqueles que censuram facilmente 
porque têm medo do que não conhecem 
cuidado com aqueles que sempre procuram multidões 
porque sozinhos não são nada 
cuidado com o homem mediano, com a mulher mediana 
cuidado com seu amor, seu amor é mediano 
busca o mediano 
mas existe gênio em seu ódio 
há gênio suficiente em seu ódio para te matar 
para matar qualquer um 
não desejando a solidão 
não entendendo a solidão 
eles vão tentar destruir qualquer coisa 
que seja diferente das que conhece. 
não sendo capazes de criar arte 
eles não entenderão arte 
eles irão considerar seu fracasso como criadores 
apenas como uma falha do mundo 
não sendo capazes de amar completamente 
eles acharão que o seu amor é incompleto 
e então eles lhe odiarão 
e seu ódio será perfeito 
como o brilho de um diamante 
como uma faca 
como uma montanha 
como um tigre 
como cicuta 
 

sua mais perfeita arte.


Terça-feira, 4 Março, 2008

Triste

Impiedoso

Mas é bonito e quase não faz barulho…

…o passado

   (para Rimbaud)


Terça-feira, 26 Fevereiro, 2008

Tem uma noite daquelas aqui fora. As estrelas aparecem e desaparecem, conforme você olha. Eu sou um cara deitado no meio da grama, pensando que poderia ser essa noite, a melhor de todas.


Terça-feira, 26 Fevereiro, 2008

Sabe o que eu vejo? Eu vejo chamas ao redor. Não tente disfarçar - tá tudo pegando fogo… eu não sei onde ficam as escadas de emergência ou o caralho a quatro… eu sei que sou um dos que não vai se salvar… eu sei disso.


Domingo, 3 Fevereiro, 2008

Quando deus me abandonou não senti medo nem frio, pelo contrário, me senti mais à vontade para estar a teu lado, sentindo teu cheiro e teus sentimentos, absorvendo tudo da tua carne exposta. Quando deus foi embora, eu vi que ele tinha mesmo razão para ir, mas sempre que a luz está apagada penso que ele aproveita pra estar por perto, para orar por todos nós e, de certa forma, me sinto um pouco melhor.


Quarta-feira, 30 Janeiro, 2008

Tava fazendo uma limpeza geral na papelada. Muito lixo! Achei uns escritos antigos, umas fórmulas mágicas prum tal de frango não sei o que… Essas coisas. Joguei a maioria fora. Então achei esse  poema e fui fumar um cigarrinho na sacada…

 Quarteirão 

Aquele que pede informações

Apenas para não perder o costume

De estar sempre perdido

O sol que derrete o asfalto

Como uma fita fora de rotação

A solidão partindo no ônibus lotado

Um velho bilhete esquecido num livro

Alguma espécie de espanto, quase

Um riso, ancorado no ainda não

 

Daquele que só depois do roubo se recorda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que sujeitos estranhos rondavam o quarteirão                                         

                                              Marcelo Montenegro


Sexta-feira, 25 Maio, 2007

Pois é, sou exatamente esse cara parado na tua frente agora. Então você me fala da beleza. Eu digo que a beleza é fugaz, que ela ia dar um jeito de se livrar de mim. Você me fala sobre saúde. Eu digo que minha saúde mental nunca foi boa. Você me fala de Deus e eu digo que sempre acreditei nele, que converso com ele todos os dias. Você diz que me ama. Sinto muito. Sinto muito mesmo.