Pular*

Sexta-feira, 11 Maio, 2007

pular,
apenas pular
e sentir o ar passar por todo corpo em queda
passar pela camada de vapor
olhar
os pedaços de cores
se formando em frente
distinguir o azul
do resto do passado
sublimar-se
anoitecer-se
entristecer-se
virar
virar e desvirar
para observar o vôo em toda
sua amplitude
prestar atenção nos detalhes
pra que sempre
que sentir necessidade
relembrar
pular…
 

 

* Para a Dusty.

 

Dusty é uma gata preta que mora com a gente, ou a gente é que mora com ela, não sei ao certo. Tem esse nome porque, segundo a Rosi, era tão feia quanto o  Dustin Hoffman. Ela é londrinense, como Mário Bortolotto (também morou com o Mário). A Rosi achou ela num dia de chuva – deve ser por isso o mau humor constante dela. Ela tem dezesseis anos, aproximadamente, mas ainda tem muita saúde – muito mais que eu-, pra agüentar um bom tempo dormindo em cima da barriga da gente ou enrolada em algum cobertor por aí. Fiz o poema olhando ela andar, de um lado para outro, no parapeito da janela do apartamento, no décimo andar, e o Ivan Santos (OAEOZ) musicou. A gente tinha uma banda, cujo nome era “Dusty”… conhecidência, né não?   


Caminhar agora é sem pressa…

Sexta-feira, 30 Março, 2007

Os sonhos surgem quando menos espero. Espero por tanta coisa que esqueço o quanto é bom sonhar. Tenho passado o tempo tentando me concentrar nas coisas pra fazer, nas coisas que tem de ser feitas. Minhas mãos estão envelhecendo, como todo o resto. Logo vou ter manchas
em ambas. Vou ter cabelos brancos e falta deles também. Vou ter mais motivos pra sentar na cadeira da sacada e não sair de lá por nada. Vou esquecer de mim. Tenho sonhado com isso, com esse dia em que vou poder envelhecer.

 

 

Pro Marcelo Montenegro, meu companheiro de sacada & cigarro & bons papos na madrugada 

 

Na parede da casa a tinta descasca

No quintal vazio, só vejo sombras

Nas minhas mãos, manchas

Será que o tempo chegou pra ficar?

Será que fiquei na distância?

O tempo agora é lento, é triste

Caminhar agora é sem pressa.