pular,
apenas pular
e sentir o ar passar por todo corpo em queda
passar pela camada de vapor
olhar
os pedaços de cores
se formando em frente
distinguir o azul
do resto do passado
sublimar-se
anoitecer-se
entristecer-se
virar
virar e desvirar
para observar o vôo em toda
sua amplitude
prestar atenção nos detalhes
pra que sempre
que sentir necessidade
relembrar
pular…
* Para a Dusty.
Dusty é uma gata preta que mora com a gente, ou a gente é que mora com ela, não sei ao certo. Tem esse nome porque, segundo a Rosi, era tão feia quanto o Dustin Hoffman. Ela é londrinense, como Mário Bortolotto (também morou com o Mário). A Rosi achou ela num dia de chuva – deve ser por isso o mau humor constante dela. Ela tem dezesseis anos, aproximadamente, mas ainda tem muita saúde – muito mais que eu-, pra agüentar um bom tempo dormindo em cima da barriga da gente ou enrolada em algum cobertor por aí. Fiz o poema olhando ela andar, de um lado para outro, no parapeito da janela do apartamento, no décimo andar, e o Ivan Santos (OAEOZ) musicou. A gente tinha uma banda, cujo nome era “Dusty”… conhecidência, né não?
Publicado por rkjazz
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