Marcos Prado
Terça-feira, 28 Julho, 2009Baixistas
Segunda-feira, 27 Julho, 2009
Flávio Jacobsen, Carlos Alberto Lins e Rubens K – Rock de Inverno VII – By Lícia Beletti

Carlos Alberto Lins e Rubens K – na fila, depois dos shows – Rock de Inverno VII – By Lícia Beletti
Por enquanto, sem tréguas
Domingo, 26 Julho, 2009Uma tempestade está a caminho. Eu ando devagar, esperando mesmo por mudanças – que sejam do clima então. A paisagem muda a toda hora, a cada janela. É um exercício mental a cada dia pra saber onde estou, depois de tanto tempo sem destino. Minhas mãos estão em ordem, isso me deixa feliz. Não posso dizer o mesmo do resto do corpo, que está amassado, cansado e sem brilho. Ainda tenho as cartas, as últimas cartas com o pedido de socorro, mas devo, como sempre, ter chego tarde demais. Ninguém a bordo deste lugar fantasma – pelo menos ninguém que eu conheça -, ninguém por quem eu queira arriscar a vida. Não presto atenção na paisagem porque conheço de cor as imperfeições de cada canto, cada tijolo, cada pedaço do chão, mesmo com tudo arrasado. Passo flutuando entre corpos de pessoas espalhados na rua, tentando escutar, aqui e ali, uma palavra, um sinal que me possa indicar o destino certo, o lugar onde eu deveria agora estar. Nada. Nenhuma informação, nada que interesse vindo do mundo dos mortos-vivos. As nuvens começam a se agrupar num canto do céu, um canto negro. O resto do céu ainda mantém o tom cinza de sempre – Gray Town, digo pra mim mesmo. Não existem pássaros em nenhuma parte. Eles também devem ter sido espertos e se mandando enquanto havia tempo. Fecho o zíper do meu pesado casaco, dou mais uma volta no cachecol e me encolho dentro de mim mesmo, esperando a chuva ácida. Que seja a última. Um dia isso tudo tem de ter um fim.
Amigos, sempre eles pra nos levantarem do nocaute
Domingo, 26 Julho, 2009Leprevost no John Bull, Rock de Inverno VII
Leprevost é escritor. É também um cara sensível e passional. É também um filho da mãe de primeira. É um daqueles caras, daqueles amigos, que é muito bom encontrar, dar um abraço e ficar do lado do cara, com a garrafa de cerveja pela metade, rindo de tudo que a vida nos empurra goela abaixo. É um daqueles caras que desistiu de esperar o resgate e saiu dando braçadas, oceano afora, da ilha deserta, do paraíso ou que merda seja onde more a tranquilidade, o comodismo e o conforto. Velho, obrigado pelas palavras. Vindo de você, porra, obrigado mesmo, brother. Um dia quem sabe as coisas aconteçam de uma maneira tranquila, mas agora ainda temos de dar porrada em meio mundo e, como você disse, estamos muito bem acompanhados, mas eles sempre em maior número. Não existe a “maneira mais fácil”, pelo menos por enquanto. Muita sorte com a vida. Seria bom que ela, a sorte, às vezes estivesse por perto quando todos forem embora. Grande abraço.
Acabou, mas com um gostinho muito bom
Domingo, 26 Julho, 2009Porra, eu estava contando os dias pro Rock de Inverno VII. Primeiro um mês inteiro, depois uma semana, dois dias e, finalmente, começou. Começou muito bem, em um lugar bem estruturado, com ingressos acessíveis, com atrações bacanas vindas de vários lugares do Brasil. Começou bem, com o público chegando, devagar na primeira noite, mas presente e participativo e com força no sábado - a segunda noite e encerramento do festival -, pra alegria das bandas, dos organizadores, de todos que estavam ralando pra que tudo funcionasse perfeitamente. Na minha opinião, funcionou. Foram dois dias onde foi possível ver bandas com trabalhos distintos – bela proposta do festival -, da “cena independente nacional”. Bandas de muita qualidade, originalidade, com propostas sérias e bem definidas. Depois de cada apresentação, o comentário era: Porra, essa banda foi foda, vai ser foda pra próxima entrar ali e mandar brasa. Não era. Cada banda cativou o público a sua maneira, com seu trabalho, com uma postura pra lá de profissional. Imagino a felicidade do Ivan e da Adri, o casal “De Inverno”, em ver, uma após outra, as bandas correspondendo a expectativa do pessoal. Sexta-feira foi foda – já comentei aí embaixo. Sábado foi emocionante. Meu último show com o Ruído/mm. Ramiro, é lógico que a gente ainda tá junto, que vou lutar pelo Ruído/mm onde eu estiver. Eu jamais vou esquecer as palavras que você falou ali, o carinho que vocês me deram no palco. Jamais vou esquecer que me diverti, mais uma vez, ao lado do Giva, Pil, Rafa, Jonny e Liblik e do teu lado. Fiquei mesmo emocionado e quase não consegui tocar “Mariachis”. Perdão! Vocês são a família mais maluca que eu conheci e só tenho a agradecer por terem me incluído nela. É pra sempre, pode acreditar. Grande obrigado, irmãos, e a vida segue mais tranquila agora. Outra emoção foi na hora que o Fellini começou a se agrupar e entrar no palco. Logo que conheci Ivan e Adri, lembro que rolou uma afinidade musical absurda. Ivan me mostrava bandas, livros, contava histórias – ele conhece muito da cena musical do mundo. Eu ficava no apartamento dos dois ouvindo e fazendo música, depois que eles chegavam do trabalho. Ivan parecia se renovar com as canções que a gente fazia e ouvia, após um dia na redação de um jornal. Era mágico mesmo. Uma das bandas que a gente ficava ouvindo sem parar era Fellini. Como aquilo fazia sentido, e continua fazendo ainda. Parecia uma daquelas bandas gringas, que você sonha em um dia poder ver. Fellini é de São Paulo, mas São Paulo era longe demais pra gente naquela época - mal conhecíamos nosso quarteirão, imagine ir pra São Paulo e de quebra ver Fellini! Isso nunca aconteceu. A gente era muito sem dinheiro, muito mais que agora. Mas o sonho sempre girava em volta das conversas, e a banda de Cadão, Jair Marcos, Thomas Pappon e Ricardo Savagni sempre ali, no toca-discos. Sabíamos de cor as canções e ontem a gente desabafou mesmo tudo que estava guardado, esperando pelo momento certo. Ontem ele aconteceu. Lembro que olhei pro Ivan e falei que ele era um viado. Que ele tinha mesmo montado o festival só pra trazer o Fellini. Ele riu e disse que também era por isso. Claro que não era só pelo Fellini, mas puta merda, naquele momento eu voltei a ter dezoito anos, voltei a sentir meus coturnos, minha calça suja, minha vontade de mudar e encarar certas coisas. Voltei a sentir aquela surpresa, aquela felicidade adolescente que me manteve sempre alerta. Cadão sorriu! Berrou Ivan. Era verdade. Cadão tava feliz pra caralho ali em cima. Eu sei que tava. Ele deu uma entrevista que Fellini vai encerrar definitivamente as atividades. Depois de ontem, depois daquele bis exigido aos berros por todos presentes, eu já não tenho tanta certeza assim. Pode até acontecer e é um direito dos caras fazerem o que quiserem da vida deles. Mas que era visível o sorriso, meio velado do Thomas, a elegância do Jair, a condução precisa do Ricardo, no baixo, era… olhe, faltou ar. Sinceramente, eu espero que eles dêem mais uma chance pra gente, afinal, sabemos de cor as canções, e isso faz toda a diferença - e como faz. Ivan, Adri, todos que fizeram parte deste Rock de InvernoVII, grande obrigado. Vai ser inesquecível.
Flavio Vajman
Sábado, 25 Julho, 2009E tem matéria com o “animal” - sim, pois ele também toca na Fábrica de Animais, junto comigo, Fernanda , Arara e Cris - Flávio Vajman no site da Bends, que é uma fábrica de harmônicas da qual o Flavinho é endosser. Muito massa conhecer mais um pouco desse maluco. Abração, Flavinho. Té daqui a pouco!
Que noite!
Sábado, 25 Julho, 2009Sexta-feira como a muito eu não via. Ivan e Adri (que casal ”du caralho), tão mais do que de parabéns. Vou falar das bandas que eu gostei. Isso não significa que não achei legal as outras atrações, é que não é a minha praia, só isso.
Músicos “fudidos” de bom (Julio Epifany, o “Julinho”, na batera, Denis Nunes, bass man, Fernando Rischbieter, guitarra, Alonso Figueroa, o Pinduca, nos samples & acordeon e Marcelo França, o Lique, no vocal). A banda ao vivo é ainda melhor que no disco. Compassos nada previsíveis, arranjos idem. Um show muito bem estruturado, maduro, que merecia ter mais público pra ver como se faz música boa por aqui (Curitiba). Entendo a preocupação do Lique com a saída de Julinho, o baterista, que está morando em São Paulo agora, do grupo. Julinho é o responsável por todo o “groove”, as conduções “tortas” do Liquespace. Vai ser impossível achar um substituto a altura de Julinho, e Lique sabe disso. Na minha opinião, o grupo é tão diferenciado, tão coeso, que a saída de qualquer um dos integrantes deve ser considerada uma tragédia. Show lindo em todos os sentidos. Sorte com a vida, Julinho. Sorte pra você, Lique, que tem uma “missão quase impossível” pela frente.
Uns moleques “sangue bom” de Umuarama, interior do Paraná. Porra, Nevilton, banda que leva o nome do vocalista, injetou ânimo na noite. Arranjos bem estruturados (agora com a produção do brother Tomás Magno), músicos precisos e com tesão de tocar (Tiago “Lobão” Inforzato, no baixo, Fernando Livoni, na batera e Nevilton de Alencar, na guitarra e vocal). Composições sinceras e uma empatia total com o público mostrou que Nevilton tá prontinho pra sair da casa dos pais, lá em Umuarama, e ir morar num desses lugares onde a boa música é valorizada. “Os Neviltons” deram uma lição de diversão, de como é possível fazer boa música pra se divertir sem pretensões “cabeças”. Música pra dar risada, encher a cara de cerveja e olhar as meninas dançando na pista, tudo muito bem executado. Muito boa a apresentação dos “piás”. Tão de parabéns.
Puta que o pariu! Se o Oneide (Oneide Diedrich, o vocalista) não existisse, alguém tinha que inventar um. Oneide não é só um vocalista, é um show man. O palco pra ele é tipo o quarto, sala, cozinha, banheiro. Nunca vi ninguém se sentir tão dono do pedaço como ele. Oneide provoca, faz uns passinhos tipo pantera cor-de-rosa, uns solos coreografados (na verdade é o Ferreira, o outro guitarrista, que está dando duro, mas tudo bem, Oneide) impagáveis. Ao lado de Oneide, Luiz Ferreira, guitarra, Renato Quege, baixo (os dois tocavam no Beijo AA Força) e André Camargo. São músicos experientes e mais que competentes. Caras que sabem muito bem o que estão fazendo ali em cima, que não brincam em serviço mas nem por isso deixam de se divertir pra caralho com tudo. É visível e contagiante isso. Um puta show – se não me engano foi o único “mais um” do festival. De fato, não dava vontade de deixar os caras saírem assim, de mansinho, impunemente. Puta show.
Hoje, a noite promete. Tem Fellini, entre outros. Fellini não é apenas uma banda, é um fetiche. Eu vou estar ali embaixo, berrando “Rock Europeu, Rock Europeu!!!”. Com certeza que vou. Todos convidados!
Mais que merecido!
Sexta-feira, 24 Julho, 2009Conheço o “Frank”, o Walmor, do tempo do Opinião Pública… porra, ele merece sim e muito mais. O cara fez o tal pacto com o “demo”, mas é tão foda que ludibriou o capeta e continua nos dando mais e mais alegrias. Grande Walmor! Saúde!
Tirei daqui

Publicado por rkjazz
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