Primeiro show do ano da
Fábrica de Animais
Lá
na Livraria da
Esquina*
junto com Paris Le Rock.
sexta-feira, 6/2
23hs
$12
Apareçam!



Ei Frank, você deveria estar morto. Sim, Frank deveria estar morto. Na verdade todos nós deveríamos estar mortos, mas não morremos. Ninguém morre nesta merda de lugar. Assim os cemitérios continuam vazio – mas de alguma maneira eles sempre foram vazios, ou não? Voltando a Frank: Frank, seu infeliz, você só tinha de fazer o que eu te falei. Era só isso, nada mais. Você e essa mania de mudar as coisa a sua maneira. Frank, você é muito estúpido. Dois estampidos. Acertaram direto no peito. Frank foi jogado pra trás com o impacto. Depois caiu, solene, no chão sujo da lanchonte do Yin Ling. Ling, seu desgraçado! Limpe essa merda toda. Depois me traga dois ovos cozidos e uma porção de arroz com purê de abóbora e um belo e suculento filé, nada de carne de cavalo, seu filho da mãe! Só ele poderia sentir fome depois de matar um homem, e não era um qualquer. Era Frank. Ann entrou vestida de preto, um vestido muito curto e bonito que ficava muito bem naquele corpo. Ficou em pé ao lado do cadáver de Frank. Parecia estar rezando, ou alguma coisa parecida. Então ela levantou o vestido e começou a se masturbar. Todos ficaram constrangidos. Tom estava ali. Tom havia matado Frank. Tom matou Frank porque ele não matou Ann, ao contrário, ele começou a foder Ann, que é a mulher do Tom, que é o chefe por aqui. Tem momentos que a vida parece não valer merda nenhuma. Esse é um deles.
A nuvem radioativa vem de encontro ao teu cabelo vermelho. Jogo a bituca de cigarro no mato ralo do morro. Não tô nem aí se pegar fogo. O vento, que não para, chicoteia a areia das dunas na nossa cara. Uma tarde inteira pra vadiar ao teu lado. Uma tarde inteira e eu li teus poemas mal escritos. Não tem nada de errado em não ser bom em nada, porque o nada nos pertence agora. A metade de tudo que conhecemos já não existe mais, e a que sobrou não nos interessa. Nisso você ajeita a calcinha, a saia e fica em pé, parecendo um daqueles navegadores antigos. Eu também avisto a nuvem de poeira e areia vindo em nossa direção. Se tudo acabar agora, teremos esse deserto imenso pra vagar. Dois fantasmas saqueando sonhos de areia, entrando em garrafas vazias, em pedaços de panos de bandeiras. Duas crianças em um imenso quintal arruinado, sem árvores pra subir, apenas o chão quente e imundo pra cavar esconderijos para os nossos cadáveres. Talvez o estranho nem note que estamos aqui em cima. Talvez ele seja como nós e passe sem criar confusão. Talvez só esteja perdido, viajando na direção onde o vento não é tão severo. Quem sabe ele fracasse antes de chegar aqui. Quem sabe o deserto e a maldita areia não engulam o estranho e tudo ao redor num grande buraco direto pro inferno. Queria saber uma daquelas histórias antigas agora. Queria contar um milhão de verdades e mentiras antes que alguém corte fora nossas cabeças. Queria apenas ter outra chance. Queria que o mundo tivesse acabado por inteiro, pelo menos acabado na nossa metade. Queria rir agora, mas o vento e a areia não deixam. Então é melhor beber o resto da garrafa, fumar mais um cigarro e te abraçar esperando um longo inverno.
Ruído/mm – by Fernando Souza
Só uma pequena correção no texto: Quem toca baixo em Mariachis é o Pil. O Ramiro toca o baixo de Praieira. Eu toco o foda-se na duas. Explicado?
Grande obrigado a Bianca Sobieray (texto), Fernando Souza (foto do show na matéria) e ao Mondo Bacana (site-link aqui do lado), por terem ido, em plena quinta-feira, ao show. Grande abraço a todos.
“O La Carne é uma daquelas cinco bandas brasileiras que têm identidade própria, apesar de eu não me lembrar agora das outras quatro.”
Léo Vinhas/Scream&Yell

by Diego Cognato
“Se argumentamos cá, ano passado, que Macaco Bong se assemelha a um diálogo entediante, o Ruído ensina. “
“Responsável pelo primeiro show da noite, a Ruído/mm impressionou antes mesmo de iniciar a primeira música.”