Marcião Américo no “Dia do escritor” – porra, nem sabia que tinha dia do escritor. Caralho, daqui a pouco vou começar a acreditar em Papai Noel.

Sábado, 30 Agosto, 2008


Não leu ainda? Sério?

Sábado, 30 Agosto, 2008

Quer comprar? Aqui: www.sebodobac.com com o Bactéria ou  no  e-mail revistacoyote@uol.com.br


Sobre bunkers e desertos tem o mesmo céu limpo, cheio de estrelas

Sábado, 30 Agosto, 2008

Minha vida corre por aí, pelas ruas de uma cidade quase estrangeira, sem graça, em meio a bunkers desertos – quem pode afirmar que é mesmo preciso uma bomba cair como uma praga pra destruir tudo? Depois de nove horas e um calor infernal, uma estrada cheia de percalços e ecos, depois de tudo e mais um pouco chego. Quem disse que é fácil chegar a algum lugar? A um objetivo então. Esqueça. Eu e meus quarenta e poucos anos não temos ilusões, só meias certezas que não são assim tão certas. Procuro desligar a cabeça, colocar a mente em outro lugar e quase tenho sucesso. Vejo uma praia deserta e uma canção ao fundo. Então uma bela garota sai do mar… pântanos engolem ela e meus sonhos pelas pernas. Era um sonho? Pesadelo, talvez. Procuro achar o interruptor no escuro. É foda quando não se tem certeza que ele está ali, esperando, num lugar que mal conheço. Sou como um lutador cego no meio do ringue, tentando adivinhar os sons do adversário e colocar meus golpes. Tenho alguns passos calculados, mas não sei por onde começar. Ouço tiros e alguém muito velho praguejando. Talvez eu fique assim também. Talvez não seja um velho. Talvez seja um papagaio, um gorila solitário, preso numa daquelas gaiolas, exposto no fundo de uma loja de animais em extinção. É quase assim que me sinto só que sem bananas por perto. Tudo certo se tiver uma boa trama, um bom meio e um final surpreendente. Tudo certo se tiver fôlego pra subir e descer as avenidas, calçadas e escadas. Tudo certo se eu acreditar que tenho certo talento pra suportar as adversidades. Tudo certo se alguma coisa não endurecer as pernas, os punhos e me deixar imóvel. Tudo certo se o dinheiro der pra comprar cervejas pra tomar sozinho quando todos forem pra casa esperar o dia seguinte. Tudo certo, penso. Consigo até sorrir um sorriso ingênuo, mas já é um começo. Talvez seja.


Da janela

Sexta-feira, 29 Agosto, 2008

Abri a janela. Manhã quente. Um calor infernal por aqui. Acho que vamos todos cozinhar dentro das nossas roupas, carros, camas. Um pássaro grande e desajeitado deu um rasante bem em frente à janela e desapareceu logo acima da minha cabeça. Pensei que ele poderia ter se arrebentado contra o prédio, alguma vidraça, mas não ouvi barulho nenhum. Nem vi ele cair morto no chão. Deve ter mais coisas no mundo que não compreendo. Percebi, quando levantei o braço, que preciso de um banho. As outras partes também estão com um cheiro bem desagradável. Vou até o chuveiro e nada de água. Apenas um filetezinho escorrendo, como se fosse uma doença venérea qualquer, daquele cano na parede. Peguei o interfone e o porteiro falou que tá tudo normal com a água do resto do prédio. Perguntou se paguei a conta. Mandei ele enfiar a conta. Tampei a pia do banheiro e abria a torneira. Um filete um pouco mais consistente começou a sair e logo rareou, até secar. Deu uma quantidade razoável de água. Peguei uma esponja e comecei a me limpar. Tem aquela história que a criatura humana é feita à imagem do criador. Mas neste caso não teríamos de ser todos iguais? Parecidos, pelo menos? E no começo éramos todos irmãos, não é mesmo? Filhos do mesmo pai, mesma mãe, e a igreja católica vêm agora com este papo de incesto. Pura cretinice. Claro que tem mais a ver com a degeneração da espécie, com as perebas que aparecem quando se come da própria carne. Mas ainda não somos todos irmãos? Alguém deveria explicar melhor isso tudo aí. Acabei meu banho e tentei achar uma camisa mais ou menos inteira. Achei uma camiseta. Botei a mesma bermuda, chinelos e me sentei na cadeira de balanço. Funciona mesmo a cadeira de balanço. Acordei duas horas depois com um torcicolo filho da puta. É o preço de estar vivo, pensei. Enfiaram uns papéis por baixo da porta enquanto eu dormia. Nada para mim. Coloquei sobre um móvel e pensei em como seria a minha morte. Seria agradável? Seria triste para alguém? Eu sentiria dor? Essas coisas. Uma vez li que o suicídio é a única maneira digna de morrer. Não sei. Desde pequeno colocaram coisas na minha cabeça que me fazem ver o suicídio mais ou menos como uma punheta – um ato solitário e egoísta, que só dá prazer a quem comete e quando acaba não tem a menor graça, pelo contrário. Não consegui chegar à conclusão alguma e já são seis e meia da tarde. Sei disso não pelo relógio. As ruas estão cheias de trabalhadores honestos e os nem tanto. Estão cheias de suicidas em potencial, indo em direção ao que chamam de lugar seguro. Irão encontrar suas mulheres e filhos com as caras azedas e desiludidas de sempre. Vão se culpar pelas besteiras que eles querem ganhar no natal, no ano novo, no dia das crianças. Vão se achar inúteis e sacudir o pinto com raiva enquanto interrompem a mijada, talvez até batam uma punheta. Então eles se deitam resignados, lado a lado, de costas para suas esposas, com o gosto do purê de batatas encalacrado na garganta. Com ódio de não saber dizer não e chutar a bunda dos códigos de honra e ordem. É nessa hora que se descobrem desprotegidos embaixo dos lençóis  engomados. Então fecham os olhos e sonham com o dia seguinte, com o trabalho pra fazer, com o trânsito e o patrão. São felizes desta maneira. Tem de ser.


Festa de Merda – a estréia

Segunda-feira, 25 Agosto, 2008

Junto com a “Saco de Ratos”, do Bortolotto, a “Fábrica de Animais” vai estar lá. Vai ser minha estréia no baixão com os caras. Quem puder vá. Vai ser massa pra caralho. 


Concurso Levi’s

Sábado, 23 Agosto, 2008

Tô precisando de umas roupas novas, então façam o favor de votar no meu texto lá na parada, senão vou pedir uns trocados emprestados pra comprar  panos novos.

Eis o link http://www.levisbeoriginal.com.br/#projects/1776

P.S. se eu ganhar, sortearei uma camiseta entre os votantes. É, tô comprando votos mesmo, e daí? hehehehe.


Cairo

Sexta-feira, 22 Agosto, 2008

Saiu o trampo do Camarão. Tá massa pra caralho. Link aqui e do lado.


E o herói voltou

Terça-feira, 19 Agosto, 2008

MarloweDK – Whatever it is, i just cant stop – Jamiroquai


Bela capa, não é mesmo? E o som? Já ouviu?

Terça-feira, 19 Agosto, 2008


O Mágico de Oz, ou mestre Linari e sua gangue

Segunda-feira, 18 Agosto, 2008

Final de semana fodasso em Osasco. Linari apareceu e me levou direto pro inferno. Fomos pra Teodoro Sampaio passar raiva e calor. Descobri que meu baixo tá valendo uma pequena fortuna. Já tenho a grana do caixão, se qualquer coisa der errada, hehehehe. Foda. Milhões de instrumentos bacanas e dá sim vontade de ter grana e lavar um pouco de tudo pra casa. Muito foda. Uma coxinha e duas pernas de frango depois e direto pro estúdio do Chicão, figurassa que agora é o batera do La Carne. Rodrigo Carneiro e sua elegância estavam lá. Sou fã do Carneiro. Puta cara do bem. Gente finíssima e com um talento do tamanho da sua gentileza. Não pude ver o ensaio dos Mickey Junkies, ou como ele mesmo diz os “Michael Jacksons” ou ainda os “Mick Jaggers”. Grande Carneiro. É sempre um prazer encontrar esse cara.  Quero ver se colo num dos próximos ensaios dos caras mais pra frente. Desmaiei no sofá do estúdio por culpa de um uísque paraguaio do Fernando Jordão, mais conhecido como Jorge e tal. Não bebo uísque, isso é conhecido, mas era paraguaio dos bons e presa do Jordão, porra. Não tem como não aceitar a cagada. Carlinho continua aquele cara. Muito foda ver os “baixão” sendo esmerilhado ali, um atrás do outro, com competência e sinceridade. Como tem de ser. Fez um bem “du caralho” ver isso. Botou as engrenagens pra funcionar dentro da minha cabeça. Atrapalhei o Linari nuns backing vocal e ainda me impressiono com a mão direita mais rápida do oeste. Vai tomar no cu, Fernandinho. Nem vou falar nada. Quem quiser saber qualé, que vá no show, compre disco. Se vire. Não dá pra traduzir o que é aquele filho da puta tocando guitarra – a mãe dele é uma santa, mas não teve culpa de ter um filho assim. O Mário me mostrou a trilha que ele, Jorge Jordão, fez pra Getsêmani, texto do Bortolotto. Quem viver, verá. Chicão tá uma engrenagem fudida na banda. Pegada séria e competente. Rolou uma piada que sempre que vou ver o ensaio do La Carne, roda o batera. Tomara que não desta vez. Da pra sentir o quanto o Chicão tá feliz com os cafajestes. Lindo de ver, e tá uma porrada na orelha. La Carne em sua melhor forma. Pode acreditar. Depois, fui removido até a residência da família Linari. Dona Julieta tava lá. Julieta é de uma gentileza impar. Não tenho palavras pra agradecer a hospedagem, a conversa e o carinho. Julieta é daquelas pessoas que você sente saudade logo que dá um beijo de despedida. Sério isso. Dá um nó fodido na garganta. E ela preparou um frango com quiabo que vocês tinham que ver. Me senti um rei lá, no castelo da família Linari. Julieta, eu volto pra gente conversar mais outra hora. Pode contar com isso. Dormi na sala. Julieta tinha arrumado uma cama pra mim, mas na casa do maninho o grande barato é dormir na sala. Por quê? Simples: pela manhã Jubileu, Mixirica e agora a enorme Cacilda pulam no sofá pra te dar bom-dia. Inesquecível. Acordei com um pulão no saco – Jubileu, tem volta essa, viado -, e uns beijo molhado na orelha. Era a Cacilda.  Julieta e Linari pegaram ela da rua. Uma cadelinha pretinha e frágil. Lembro que o Jubileu ficava tentando comer ela de qualquer maneira. Ele deveria saber que depois ia ser impossível tal ato. Jubileu é um Dachshund, acho. Aqueles “linguicinha”. Cassilda é um daqueles vira-latas graciosos e radiantes Ficou enorme. Pretona. Sério, muito grande mesmo. Acho que vai ficar maior ainda. Tomara que fique mesmo. Depois, na tarde de domingo, Linari e eu fomos pra uma feira lá na Vila Madalena. É uma grande feira hippie. Rola uns palcos e shows variados. Um troço bem democrático mesmo. Paramos num boteco e comemos torresmo com cerveja e ficamos contando causos. Dois caipiras na Vila Madalena – tipo aquela coisa meio Sting. Na saída, quando a gente tava indo pegar o carro, Linari viu Max Fairbanks dando uma canja ali na rua, cantando uns sambas bacanas. Ficamos lá assistindo. Linari me deu o CD dele. É soul e funk, com MPB e tal.  O negão canta pra caralho. Tem um domínio fudido da voz e um carisma ídem. Foi uma aventura e tanto pelas terras de Oz, pela Vila. Bom chegar na sala, abrir o sofá, tomar um banhão e dormir como uma criança. É o que somos, não é mesmo? Tem volta.