No começo, eu achava barata um bicho sujo, nojento. Pisava em cima, esmagava. Uma tarde, eu tava na cela, dormindo. Tenho uma cela só pra mim – privilégio dos insanos. Eu durmo pelado. Eu tava assim, de bruços, quando adormeci. No meu sonho, pude sentir os teus dedos novamente, passeando vagarosos pelas minhas costas, num vai e vem tranqüilo, de quem conhece bem o outro. Pude sentir a excitação dos pêlos eriçados, pude até sentir a tua respiração. Você não sabe quanto isso me fez bem no lugar onde estou. Tenho saudades de você e do seu corpo todo dia, todo instante. Desse dia em diante, nunca mais matei as baratas. É o mais próximo que eu posso chegar de você, aqui nesse lugar.
Sábado, 24 Maio, 2008 às 1:45 am |
Uau, lindo!
Sábado, 24 Maio, 2008 às 8:50 pm |
valeu, Renan. abraço.
Sexta-feira, 20 Junho, 2008 às 7:25 pm |
Excelente descrição de solidão. Tenho um livro onde a personagem convive pacificamente com este inseto. Tornam-se amigas. Seu conto é curto, mas completo em si, maravilhoso.
Saudações!
Sexta-feira, 20 Junho, 2008 às 9:36 pm |
bacana, Dai. qual o nome do livro? abraço.
Sábado, 21 Junho, 2008 às 2:09 am |
‘Alma nua – a verdadeira estória da solidão’. Ainda não está publicado, é de 98 hehe…
Sábado, 21 Junho, 2008 às 4:00 am |
massa!