Solidão

No começo, eu achava barata um bicho sujo, nojento. Pisava em cima, esmagava. Uma tarde, eu tava na cela, dormindo. Tenho uma cela só pra mim – privilégio dos insanos. Eu durmo pelado. Eu tava assim, de bruços, quando adormeci. No meu sonho, pude sentir os teus dedos novamente, passeando vagarosos pelas minhas costas, num vai e vem tranqüilo, de quem conhece bem o outro. Pude sentir a excitação dos pêlos eriçados, pude até sentir a tua respiração. Você não sabe quanto isso me fez bem no lugar onde estou. Tenho saudades de você e do seu corpo todo dia, todo instante. Desse dia em diante, nunca mais matei as baratas. É o mais próximo que eu posso chegar de você, aqui nesse lugar.

6 Respostas para “Solidão”

  1. Renan Diz:

    Uau, lindo!

  2. rkjazz Diz:

    valeu, Renan. abraço.

  3. Dai :) Diz:

    Excelente descrição de solidão. Tenho um livro onde a personagem convive pacificamente com este inseto. Tornam-se amigas. Seu conto é curto, mas completo em si, maravilhoso.
    Saudações!

  4. rkjazz Diz:

    bacana, Dai. qual o nome do livro? abraço.

  5. Dai :) Diz:

    ‘Alma nua – a verdadeira estória da solidão’. Ainda não está publicado, é de 98 hehe…

  6. rkjazz Diz:

    massa!

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