Domingo

Domingo, quatro da tarde, eu ando de pijamas pelo apartamento. Mentira. Não uso pijamas. No bar ao lado da rodoviária, homens assistem ao jogo na TV. A maioria bebe cerveja, mastiga alguma coisa e olha pra rua sem nenhuma expressão. O varredor de rua se apóia na vassoura. Não tem mais vontade de continuar a varrer, mas ainda falta muito até acabar o expediente. Três andares abaixo, o veterano de guerra limpa a arma e pensa mais uma vez em suicídio. Recua por temer a Deus. Marina  acabou de acordar. Teve outro daqueles pesadelos onde era perseguida por serpentes. Acordou e se deu conta que estava sozinha outra vez. Tomou um copo de água gelada e foi ao banheiro. Penso em Marina todos os dias, mas não tenho coragem pra telefonar e dizer o quanto sinto a sua falta.

Deixe uma Resposta