Desculpe-me por pensar

E-mail. Alguém aconselha literatura de auto-ajuda. Que é isso? Dizia que “tal”, era o livro. Que “tal”, era o problema. Que “tal”, resolveria. Que tal você ir pra… o problema era grande. Não dava pra dimensionar. Também ali o teu e-mail. Me senti estranho. Há muito tempo não me sentia estranho, só fazendo parte. Não preciso mais sair de casa, nem quero. Tenho comida chinesa na geladeira. Não é chinesa, mas quero acreditar que sim. Deixei muita coisa para trás pra seguir um sopro, um sussurro. Preciso de muito mais. Preciso de uma viagem tranqüila, contra o vento. Isso te assusta? Não é nada perto de um câncer e do destino traçado. Um dia a gente acorda e a dor faz um furo na testa, no fígado, no cu. Uma marca. Eu lembro que deveria ter voltado e pedido desculpas. Mas que porra! Pedir desculpas? Pra quê? Outro dia passei perto da padaria. Não consegui entrar. Queria cigarros – isso deu vergonha. Não o cigarro, precisar pedir. Me vi implorando. Vi você do outro lado dizer não e sorrir superior. Não suportaria cinco segundos. Foi o tempo que o ar faltou. A garganta esmoreceu. Deve ser o câncer. Atirei o telefone contra a parede. Não vou agüentar pedir perdão.

6 Respostas para “Desculpe-me por pensar”

  1. ramiro Diz:

    existe pouca gente boa no mundo………….abs brother

  2. rkjazz Diz:

    é verdade. abraço, brother.

  3. Lúcio Diz:

    e aí rubão, meu celular quebrou e perdi seu número, preciso falar contigo pra ver o lance da contadora, deixa teu tel aqui pra mim, ou liga no fixo 3013 2602, blz? abração.

  4. rkjazz Diz:

    opa! “Lúcifer”, que honra! hehehe. ta susse. te ligo na quinta. amanhã to empenhado pra caraio. abraço, velho.

  5. Carlão Diz:

    Essa coisa de seguir um sopro, um sussurro é muito bom. Me sinto bem. Tô com os dedos cheios de tinta óleo e tô pintando a parte de fora da porta para preparar para o nosso projeto. Coloquei algumas luzes para iluminar as cagadas, dizem que não se pinta a noite, mas cê sabe que sou teimoso e tento não me deixar na mão. Me sinto tão bem quando estou pintando (paredes e coisas do tipo, não levo jeito pra arte em quadros, tipo Van Gogh das paredes, rsrs), a cor surgindo e tudo se transformando. Simples uma Skol num copo de plástico, low com dirty three, que eu baixei na página do andré, no som alto para se poder escutar lá fora e o cheiro de tinta, que na verdade nem me encomoda. Por um instante pensei que com todas essas luzes me iluminando, eu poderia ficar aqui por um bom tempo, não saberia se é dia ou noite, ficaria até achar que a porta está perfeita, de um jeito sem pressa, ficaria até terminar o serviço ou o foco congelar, com essas noites geladas que faz por aqui. Não sei o que pra onde estou indo nem o que me faz tão bem assim, é algo muito sútil, como um sopro ou um sussurro.

  6. rkjazz Diz:

    deve tá ficando “du caralho” esta porta ae. tudo me parece perfeito. bonito isso ae que o sr. escreveu. quarta te ajudo. grande abraço, brother.

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