Então largue mão de ser cuzão e vá lá no Sr F e baixe as canções todas.
Pena eu estar fazendo alguma merda por aí no dia do show. Perdi o OAEOZ tocando… queria muito ter visto. Mas tá ali… registradinho… muito bacana mesmo… grande obrigado por ter gravado Meg&John, Ivan. Obrigado mesmo, brother. É um prazer ser teu amigo. Um brinde!
A camisa vermelha está amassada, mas não tenho ferro pra passar. A solução é esquentar uma panela e colocar um papel em branco entre a camisa e a panela quente. Tentar fazer o melhor possível com o ferro improvisado. É difícil quando se está num desses lugares, onde a gente está começando alguma coisa. O quarto sai por 150 a semana. Ganho pouco mais que isso. Se comer, não sobra muito pra beber. O fato é que estou bem mais magro. A rua está cheia, como sempre. Tem gente caindo dos prédios a toda hora. Uma brigada especial surge do nada pra limpar o estrago. Os camelôs já não gritam de maneira desorganizada. Um espera o outro, como num ritual de acasalamento de certa espécie de pássaros. Vi isso uma vez num canal sobre natureza. Eu vou a pé até onde trabalho. Passo o dia inteiro, das 08:00 até 21:15, também em pé. Separo o que presta do que não presta na loja de usados. As pessoas vão lá em busca de dinheiro rápido. Saem com bem menos do que esperavam e deixam coisas interessantes e úteis. Procurei e achei um ferro de passar roupas. Deixei separado. Esses dias achei um álbum de casamento. Fiquei olhando as fotos daquelas pessoas. Perguntei por que haviam comprado aquilo. Saudade de um tempo que nunca mais vai voltar, foi a reposta, e o álbum foi guardado numa gaveta com chaves. Melhor deixar pra lá.
Esse vídeo de Take Five é uma piada. Bom, a canção é do Paul Desmond - o cara magro que toca sax alto ao lado do piano. Gosto deste tema. O lance todo é que são três branquelos tocando jazz. Três branquelos de terninho (acho que é preto, não dá pra saber) e óculos. Porra, os três! caralho! Parecem três boçais executando uma porra de um tema quadradinho, que nada tem do espírito da porra louquice do jazz. O solo do piano é ruim. Parece que o David Brubeck desiste de solar. Na verdade ele nem tenta. O Paul ainda tenta dar um pouco de vida pra essa porra, mas não consegue. A Audiência aplaude o solo dele. Esse show deve ter acontecido num lugar onde as pessoas são muito bem educadas. Bacana mesmo é o David Brubeck olhando o seu clone solar na bateria (o Joe Morello – será tataravô do Tom Morello?). Impagável. E o baixista? O único negão na banda não tem direito a solo - acho que o cara nem tava a fim mesmo, numa gig tão medonha como essa. Eu ficaria na minha. Vai que o cara desempenha bem e acaba com as estrelinhas brancas ali, de terninho e óculos. E se não solar não aparece o nome do cara. Perfeito! No contrabaixo: o negão sem nome. Tá certo, é sair o quanto antes desta porra de jazz de auditório, pegar a grana e catar uma putinha pra fazer um boquete decente, em meio a umas garrafas de rum e o que tiver pela frente. Sei lá, cada coisa. Se eu pudesse dar um conselho pra eles seria esse: porra, seus cuzões, tirem esses terninhos de merda (foda-se que é 61), esses óculos de viado e vão tomar uma dose de heroína ali na esquina e depois voltem aqui com a porra da música. Caralho, que bosta. E eu gosto deste tema, mas não deste jeito. Caralho.
Um final de tarde jazz. Um trompete lento, melancólico. Sempre associo uma coisa a outra – lentidão a melancolia. Também achava que nada acontecia na melancolia de um compasso, de um andamento. É como o dia indo embora, devagar, as cores se misturando, se perdendo, se construindo, se transformando, dando espaço pra um contrabaixo marcado, sem pressa, preenchendo os buracos onde a luz já não existe mais.
Tá, já deu pra notar que sou fã do Jim Jarmush. E neste filme, Dead Man, tem ainda a fantástica trilha sonora do Neil Young. Não me canso de ver e ouvir. Indico.
Ah! Coloquei o link do My Space do cara aqui do lado. Achei no My Space do Biel. Aproveitem.