Imperdível

Segunda-feira, 26 Novembro, 2007

  

 


Quarta-feira, 21 Novembro, 2007

“… E a sombra do mal se erguerá das profundezas e varrerá toda e qualquer forma de vida pagã da face da Terra…” Terminava assim o capítulo do livro. Ao meu lado na cama, ela lendo um jornal. Procurava emprego. Eu disse que iria mudar de cidade. Ela estava procurando emprego pra onde eu tinha decidido ir morar. Na verdade nem eu sabia pra onde iria e levar ela comigo não estava planos. Falei um lugar qualquer, o primeiro que me veio à cabeça. Tem um aqui, de meio período. O salário não é essas coisas, mas pra começar acho que tá bom. Odeio acabar com o sonho e a esperança da pessoa por quem me afeiçôo. Quanto é mesmo que pagam? Achei uma porcaria de salário. Não dava nem pro aluguel, mas não ia dizer isso pra ela. Não agora.  Ela é enfermeira. Trabalha numa clínica particular. Cuida de idosos. Acho o trabalho dela uma coisa asquerosa, mas não comento nada a esse respeito. Lívia é o nome dela. Lívia tem vinte e quatro anos e um corpo perfeito. Eu tenho quarenta e cinco e sou casado. Lívia não sabe disso – no fundo ela tem certeza sobre isso, mas mantém acesa a esperança que eu vou abandonar a minha mulher e meus três filhos para ficar com ela. Não tenho dúvida que, se o inferno existir, o inferno como pregam os católicos, é lá que vou passar a eternidade. Lívia não foi a primeira – nem será a última. Na verdade, me desinteresso de uma mulher logo depois da primeira trepada, mas nunca falo sobre isso. Pensei, várias vezes, em simplesmente sumir da vida das duas, das três, quatro ou quantas forem. Não sumir pra algum outro lugar, ou seja, fugir. Desaparecer mesmo, como por combustão espontânea.  Não sei se acredito no pecado, provavelmente não. Também não sei se acredito no prazer. Na verdade acredito na dor. Na dor da perda. Isso sim me faz sofrer. Penso isso enquanto Lívia fala com o atendente da pizzaria. Ela me pergunta que sabor eu quero. Quero pizza de palmito, mas não falo nada. Deixo que ela escolha. Ela não pede de palmito e isso não faz mais nenhuma diferença. Penso que tomar um banho seria bom. Seria bom escorrer como a água faz pelo corpo, percorrer todo ele e sumir pelo ralo. Isso me deu uma ereção – não me pergunte o por que. Olho para o relógio e não consigo encontrar mais motivos pra inventar uma desculpa, então, inacreditavelmente, me ouço dizendo que vou embora porque minha mulher e meus três filhos estão me esperando pra jantar.  Ela não se altera. Está colocando os pratos sobre a mesa. Me encara e põem de volta um dos pratos na prateleira e diz: Não quer, pelo menos, esperar a pizza que você pediu? Não quer levar um pedaço? Estou fechando a porta quando falo que não pedi pizza nenhuma.


Sábado, 17 Novembro, 2007

Foi ela quem começou com a história. Ela trabalhava numa Ong e desenvolvia projetos com a comunidade. Quando eu vi aquela louraça, rebolando os quadris com seu jeans justíssimo pela favela, bom, meu pau queria estourar o muro onde eu estava encostado. Não demorou muito pra gente se conhecer. Esse pessoal de Ong é muito comunicativo e se integra fácil. Só sei que na primeira oportunidade arrastei a loura pra dentro do barraco e dei o que ela precisava. Ela tava muito triste pra uma pessoa com  todos aqueles atributos que Deus lhe deu. Foi assim que a gente começou a se encontrar, todas as tardes, no barraco do Chicão, que fica no beco que dá para os fundos do barraco da Ong. Ela me contou a vida que levava, que era casada, tinha dois filhos que, pelo que eu entendi, eram uns bostas. Que o marido viajava muito e comia a secretária, essas coisas. O que acontece é que ela não dava pra ninguém fazia tempo e o negão aqui se encarregou da loura, com certeza. Primeiro foi uma camiseta com uma estampa em inglês, depois calças e sapatos. Não gostei nada disso. Falei: “Qualé, loura? Não gosta do estilo do negão se vestir não? Vem com essas calças de grife e camisas “afrescalhadas” pro meu lado? Parece roupa de cafetão. É isso que essa porra parece. Quer ser a minha puta, é isso?”. Então ela desandou numa choradeira que fez com que eu me “emperiquetasse” todo com as coisas que ela trouxe na sacola. Depois, ela me levou, eu e as roupas, pra jantar num desses restaurantes da zona sul. Caralho, mano. O troço é fino mesmo. Fiquei um tempão no banheiro tentando achar a porra da descarga e nada. Quando saí da frente ela funcionou sozinha.  Muito “irado”. Depois dessa noite, ela começou com um papo de como eu devia me vestir e me portar em público, como segurar talheres, entre outras coisas. Eu fui aprendendo. Na verdade, só queria mesmo aquele rabo empinado na minha cama. Depois da “aulinha”, a gente fodia até tremer a porra do barraco do Chicão. Foi aí que a merda aconteceu, doutor. O corno voltou não sei da onde e viu a loura toda feliz. Corno é esperto porque também corneia. Seguiu a loura, na verdade pagou alguém, porque aquele ali não é macho pra entrar aqui não. A loura sumiu do mapa, doutor. Sério, nunca mais vi. Deu merda – eu pensei. Abri o jornal e li que o filho da puta fritou a cabeça da minha loura. No jornal tava escrito o diabo dela, que foi passional e que ele tava na Suíça, se recuperando do trauma – aposto que com a puta da secretária pendurada no pau dele. Bom, foi premeditado sim, doutor. Peguei os “panos” bacanas que a loura tinha me dado, vesti mais dois chegados e fomos lá pra zona sul. Descobri, na coluna social, que o viado tava por aqui agora. Segui o corno durante três dias. Foi entre as ostras ao “Bloody Mary” e o vinho “Cabernet Sauvignon”, safra 1982, que a cabeça daquele filha da puta se espalhou. Se o cozinheiro chefe visse, meu Deus, ia querer a receita.


Esses são “os caras”

Sábado, 17 Novembro, 2007

  “… Se nunca mais for gravado nenhum disco, já existe música suficiente gravada e arquivada em todo lugar para me deixar feliz para sempre…”

Jimmy Page

“… Uma moça que eu amava de todo coração disse: “Certo. Sou eu ou seus fãs” . Não que eu tivesse fãs, mas respondi: “Não posso parar, preciso seguir em frente”. Hoje em dia, imagino que ela esteja bem contente. Ela tem uma máquina de lavar que funciona sozinha e um carro esporte. Não teríamos mais nada a dizer um ao outro…”

Robert Plant


Quinta-Feira, 15 Novembro, 2007

Deve haver alguma coisa errada com mundo da música. Quando você topa com os velhinhos do The Police na capa da Rolling Stone, quando dentro da revista tem uma puta matéria falando da possível volta do Led Zeppelin… E se toca que é melhor mesmo que esses caras voltem de uma vez porque o rock e o pop estão uma merda. Tem uma porrada de bandas, de nomes impronunciáveis, que não faço questão nenhuma de conhecer. Cada dia nascem pelo menos cinqüenta e outras quarenta acabam. No outro dia do nascimento, a banda não sei da onde na Islândia é a revelação, a salvação do rock, e um garoto de dezenove anos é considerado o melhor letrista de todos os tempos, por uma “revista especializada”. Porra…Não pode ser sério. O lance é que tudo isso, que foi sempre um grande negócio, agora se tornou um negócio gigantesco, que tem que dar conta de um mercado maior ainda, carente de “Stings”, “Lennons& Mccartneys”, “Pages” & Plants “, só que sem a qualidade que os caras tinham. Comecei a ouvir música muito cedo, em Irati. Lá eu ouvia Sweet, Procol Harum, Kiss, Led Zeppelin, Suzi Quatro, Gary Gliter, Eagles, The Rolling Stones, Jimi Hendrix Experience, Bad Co.,Yes, Casa das Máquinas, O Terço, Rita Lee & Mutantes, etc. Foi através da revista Pop que eu descobri que o rock era um negócio, mas me recusava a encarar meus ídolos como mercadores. No modo de ver de um garoto de oito anos, que morava no interior, eram apenas caras e garotas livres e bacanas que usavam todo o tipo de substâncias legais ou não, tinham o cabelo comprido, motos, garotas gostosas sempre por perto e, como o Cazuza disse, não a mãe – ou pareciam não ter.  Eu cresci fascinado com esse mundo, que me parecia muito distante da cidadezinha onde eu morava. Hoje entendo que música é um negócio como outro qualquer, sujeito às mesmas regras que qualquer empresinha de fundo de quintal, mas é uma grande pena que, para alguns, seja apenas isso. No texto da matéria, e na capa da revista, o Sting diz: “Estou fazendo isso por mim”.  Eu concordo com ele. Esta mesmo. Hoje, com trinta e nove anos, uns quinze ou mais de música, sinceramente, da vontade de mandar todos à merda e ir pescar no estreito de Bhering. Mas não vou fazer isso, não agora. 


A felicidade tem nome, e medidas…

Terça-feira, 13 Novembro, 2007

A felicidade, no meu caso, é um encordoamento RotoSound “Swing Bass 66″ – cordas inglesas que a Gabi me deu de presente. “Du caralho” tocar com essas cordas. Não vejo a hora de destruir as minhas “D’Addario” pra botar essas. Pra vocês terem uma idéia do “brinquedo”, eram as cordas preferidas do Jaco Pastorius. Preciso dizer mais alguma coisa? Claro, tanks Gabi! Vida longa aos baixistas e a “RotoSound”.


E, de dentro do baú…

Terça-feira, 13 Novembro, 2007

OAEOZ – Horizontes

Iris – Meia Noite

Ao vivo, no Centro Cultural São Paulo. Já faz tempo, mas foi bem bacana.


Castrado ou bêbado? Bêbado, com certeza…

Terça-feira, 13 Novembro, 2007

Essa eu fiquei sabendo pelo blog do Pierre . Sem cometários…

“…Cristina Lapis disse que o “pobre animal foi salvo”, mas não se sabe se Martinica preferiria ser fumante e bêbado ou ser castrado. “

leia a matéria


Cidade Estrangeira

Segunda-feira, 12 Novembro, 2007

O nome do cara é Marcelo França, mas a gente conhece mesmo ele por Lique. Lique é um cara pra lá de talentoso e genial. Conheci a fama dele antes da pessoa. Falaram que ele é do tipo que arruma confusão à toa, rabugento, inconseqüente, cafajeste, beberrão e outros tantos adjetivos elogiosos. Uma pessoa com tantas qualidades, com certeza desperta o interesse. Não o conheci aqui em Curitiba – acho mesmo que não somos deste planeta, mas isso é outra discussão. Foi em São Paulo, onde ele tinha embarcado numa odisséia para mudar de vida ou sei lá o quê – pra mim, ele só tava mesmo era comendo uma japa gostosa pra caralho e não queria perder ela de vista, pelo menos enquanto o tesão durasse. Um amigo em comum falou que o nosso encontro, quando acontecesse, seria dinamite pura – mentira, não sou nem a metade da minha fama e nem o Lique é. Foi empatia num papo que começou ao telefone, eu no Bexiga, na casa da Fernanda D’Umbra e do Mário Bortolotto, ele em Perdizes, na casa da Inês – a japa gostosa que eu falei anteriormente. Marcamos um encontro e ele não me pareceu o demônio que me pintaram. Nem eu devo ter parecido um cara perigoso pra ele. Na verdade nos achamos uns bostas e quando ficamos bem bêbados, a ponto de nossas esposas se preocuparem e o Bortolotto cair na gargalhada, começamos uma amizade torta e sem “meios termos”, nem concessões ou abstrações, se é que me entendem. Isso porque com o Lique não tem meio termo. Isso, além das qualidades acima descritas, é o que mais admiro num cara, a ponto de ser pré-requisito pra um convite pra uma cerveja e um papo que não pode nem de perto ser levado a sério. Idas e vindas da vida, amores acabados e corações sempre doloridos – mesmo quando estamos extremamente felizes e apaixonados, não acreditamos nisso e colocamos, talentosamente, tudo a perder – Lique voltou pra uma temporada no inferno, entenda-se Curitiba e ficamos mais próximos. Ele passou a dividir um quarto da casa/estúdio do Lúcio Machado, onde a gangue da máfia do yakissoba ensaiava, se revezando ora nas bandas “Loxoscelle” (lançaram o genial CD “A Day-Dream”), e ainda com Lúcio Machado, “X -thrumetal” – tinha também o Zeit Geist Co., banda do Luciano Vassão e Cássio Linhares ensaiando e gravando no mesmo espaço. Foi nessa convivência “saudável” que Lique cometeu o CD “Reunião”. Isso é mais ou menos o que eu me lembro. Depois, idas e vindas da vida, amores acabados e corações sempre doloridos… Bom, o Lique está morando no Rio de Janeiro, em Niterói, pra ser um pouco mais preciso. Hoje ele mandou algumas canções do novo CD, na verdade um link para o CD “Cidade Estrangeira”, no myspace. Sei que houve problemas na gravação, mixagem e masterização do disco, mas nada que tire o seu valor e qualidade. Espero que na prensagem não ocorra mais nada – passou o Karma já? Pois é, a vida para os cães não é fácil… Andar na chuva molha e no pêlo fica aquele odor desagradável que afasta os de olfato e gosto sensíveis, aqueles que não suportam o tranco da desilusão, da perda e da sensação de ter nascido no lugar errado. Esses, é melhor que se afastem mesmo, porque como disse antes, com o Lique não tem meio termo. Pra quem espera os floreios poéticos e as rimas batidas, a métrica exata, os andamentos confortáveis e uma história com final feliz, afaste-se. É um disco que não poupa ninguém, ninguém que esteja com os sentimentos maduros e que os coloque a prova em cada esquina, em cada gole, em cada trago no meio de um lugar que não lhe pertence de verdade. Não sou crítico musical, mas o Lique é meu amigo e eu sei que estão ali todos os sentimentos e sentidos deste maluco genial e mais que necessário neste mundinho de “hits” fáceis e sem lógica nenhuma. A poesia é densa, como uma vida deve ser, densa e verdadeira. Então, antes que eu encha demais a bola deste grande talento e, na minha opinião gênio, vou parar por aqui e pôr os fones, porque música boa não é pra ser dividida, espalhada pelo ar, é pra ser ouvida aos poucos, de maneira egoísta e invejosa. Eu invejo este grande amigo. Belo disco. 

Tá feito o convite. 

Ouça Cidade Estrangeira

 


Tim Maia

Sexta-feira, 9 Novembro, 2007

Tirei essa do blog do Kim. Só podia ser o Tim… 

 “Fiz uma dieta rigorosa, cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas perdi 14 dias.”

Tim Maia

 

E

Tim Maia no céu com os Rolling Stones

Hoje o céu está tão lindo

Brow Sugar

Mário Bortolotto (Para os inocentes que ficaram em casa