Sábado, 30 Junho, 2007
pensei em sonhos, em sopros, em sussurros
Pensei que o vento estava de sacanagem comigo, na sacada, enquanto olhava o escuro
Tem em cima uma lua redonda que não me diz nada
Tem as folhas daquela árvore que caem no inverno, mas brotam no verão
Tem a casa bem velha logo ali embaixo, precisando de pintura
Tem a brasa do cigarro…
Isso me lembra da esperança se extinguindo a cada tragada
Isso me lembra de um tempo muito distante
Isso me lembra de Roma por um fio
Isso me lembra de que quando o amor acaba
Pouco sobra, sobra nada
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Publicado por rkjazz
Sábado, 30 Junho, 2007
Se soubesse que seria tão difícil ir para o norte, em busca do que chamo de minha alma, teria ficado no navio e afundado junto com a tripulação. Tenho fresco na memória todos os fatos do naufrágio. Lembro da água invadindo o convés, entrando por todos os buracos possíveis, todos os poros abertos. O céu estava parado, nada se movia. Apenas nós afundávamos cada vez mais, lentamente no início, depois numa velocidade muito maior do eu poderia imaginar. Vi o que estava sobre o mar e tudo que ele contém sumindo, sendo engolido. Queria acreditar em sereias nessa hora. Queria acreditar em Deus. Queria saber rezar. Queria que você não tivesse ido morar tão longe desta vez. Queria poder voltar com o produto de uma pesca maravilhosa e sentar com uma xícara do seu café bem quente. Queria que você se preocupasse com o estado das minhas mãos, com minhas meias furadas e costuradas com linha de anzol. Que risse das novas piadas sobre marinheiros e portos. Queria que você estivesse como sempre foi. Queria muito isso. Mas você foi morar onde eu daqui não posso te encontrar. A única coisa que sei deste lugar é que tem uma enorme pedra com o teu lindo nome escrito, nada mais.
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Sábado, 30 Junho, 2007

A floresta escura de abetos erguia-se carrancuda de ambos os lados do rio congelado. As árvores tinham sido despidas de sua cobertura branca de gelo por um vento recente e pareciam inclinar-se umas para as outras, negras e agourentas, na luz evanescente. Um vasto silêncio reinava sobre a terra. A própria terra era uma desolação, sem vida, sem movimento, tão solitária e fria que seu espírito não era nem mesmo o da tristeza. – um riso tão sombrio quanto o sorriso da Esfinge, um riso tão frio quanto o gelo e compartilhando a severidade da infalibilidade. Era a imperiosa e incomunicável sabedoria da eternidade rindo da fatalidade da vida e do esforço de viver. Era a natureza, a selvagem, a de coração gélido, a natureza das Terras do Norte.
Jack London (Caninos Brancos)
Uau! Que imagem! Li “Caninos Brancos” e foi uma surpresa agradável encontrá-lo aqui, Jack London, no livro do Jon Krakauer. Pensando bem, não poderia ser diferente. Sim, comecei a ler “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild). Gostaria de ler bem em inglês, pois a tradução tem uns termos que não são bacanas. Meio que amarram a narrativa do cara, que no original não aconteceria. Sei lá. O importante é que: livro novo, vida nova. Grande dica, pra variar, do meu irmão Mário Bortolotto que eu faço questão de repassar. E vem o filme do Sean Penn por aí. Vamos aguardar.
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Quinta-feira, 28 Junho, 2007
O Bortolotto “se deu” uma tarde de férias, eu “me dei” um mês, por motivos óbvios – Basta ver a agenda de shows da banda. Um mês pra não fazer porra nenhuma. Não saí de casa, raro umas jams sessions primais com os amigos. Aproveitei cada segundo não fazendo nada e jogando GTA até o dia aparecer pela janela. Aproveitei pra ficar doente e visitar meus amigos médicos – Os quais tenho uma verdadeira “admiração”. Jamais seria médico. Nem em sonho. Laboratorista então!? Nem fodendo! Também aproveitei para observar o gato, e isto foi muito gratificante, e sua relação com o sol. Se tem alguém aqui em casa que entende de sol, é a Dusty. Bate sol pela manhã, no quarto: A Dusty está estirada na cama, pegando o sol da manhã. Bate sol pela tarde, na sala: Eu arrumo um cobertor sobre o puf e ela fica lá, pegando o sol da tarde. Ela também varia: Ás vezes ela pega sol sobre a máquina de lavar, no tapete, na cadeira da sacada, mas sempre onde tem sol, pode ser um restinho, mas ela ta ali. Vejo ela agora, dormindo no sol, na sala, e me dá uma puta preguiça abençoada. Animais são sábios e sagrados.
Estou me divertindo pra caralho mijando. Meu médico, como não sabe o que tenho e nem descobriu, resolveu apelar pra um medicamento que acaba com todas as pragas conhecidas pela ROCHE. Acontece que minha urina ficou verde. Ducaralho verde! Tava acostumado com minha urina amarelinha, clarinha e, quando vou mijar, pinta um jato verde que inunda tudo. Puta susto! Perece que eu não sou humano. Muito ducaralho isso! Vou perguntar pra ele se não existem outras cores. Ducaralho o verde!
O Marião botou lá no blog dele (Link aqui do lado), um link pro filme “Into the wild”, adaptação do Sean Penn pro livro homônimo do Jon Krakauer (o Mário da mais detalhes lá). Acontece que Sean Penn é foda pra caralho. É um dos caras que eu respeito (porra, Indian Runner é do cara), na atuação e na direção. A Rosi falou que se ele seguir a trilha do Clint Eastwood então… Sei lá, cada um cada um, mas entendo o que ela ta falando. Acontece que é o tipo de coisa que me interessa – Essa coisa do cara ter a manha de fazer o que der na telha e que se foda o resultado de tudo isso, pois o que mais importa é fazer o que se ta a fim de fazer, que se tem paixão em fazer, essas coisas. É o tipo de filme que eu até saio de casa e encaro um cinema pra ver de perto, na telona. É o tipo de filme que eu digo: Meu, se você não curte isso, é melhor não aparecer mais por aqui, não sentar na mesma mesa… Essas coisas…
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Terça-feira, 26 Junho, 2007
Duas colheres de pó de café e a cafeteira começa chiar, soltando o aroma do café de Londrina. Me dizem para desistir de tudo, por e-mail. Não dá pra desistir. Cada dia que acordo é mais um dia que não dá pra desistir. Eu sei que nem tudo que sai por aí, nas revistas, é verdade. Por exemplo: A medicina não está tão evoluída assim não. Vários exames e ninguém me explica o que eu tenho. Abro numa página em que mostram uma Ferrari e o Papa. O Papa diz que é pecado ter Ferrari – Despertar a inveja no próximo. O Papa nunca desejou, nem quando era garotinho, com os “Matchbox”, ter uma Ferrari? Ter mulher bonita então? Inferno na certa. Parece que não se pode ter nada neste mundo. Sempre alguém acha um problema, um pecado, um erro. Olha, se alguém quiser aceitar a minha doença, to doando ela. Vamos ver quantos aparecem.
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Segunda-feira, 25 Junho, 2007
“(…) Minha música até hoje tem a ver comigo e com meu público, independentemente do número de pessoas que tenha sobrado. No final, quando não estiver mais aqui e o meu público não estiver mais aqui, só vai sobrar a música. As pessoas poderão escutá-la e tirar dela o que bem entenderem.”
“(…) Não vou gastar meu tempo enlouquecendo a respeito de coisas que não posso mudar, a pespeito de coisas que outras pessoas dizem – desde que eu possa continuar dizendo o que penso, fazer minha música e tocar minha guitarra. É só isso que me importa. Sei que no fim vou sair por aí de novo fazendo rock’n'roll.”
Neil Young
(Revista Rolling Stones, n°9)
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Quarta-feira, 20 Junho, 2007
de bogotá a fallujah, o estuprador
de cadáveres deixou um rastro de esperma
e odor adocicado de morte, até mesmo entre
os que já estavam irremediavelmente mortos
pelas bombas americanas, pelas balas
guerrilheiras, pelos homens-bombas
islâmicos, pelos morteiros dos comboios
militares, pela faca cega das emboscadas
e pelas oscilações da bolsa
de Nova Iorque
Ademir Assunção
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Quarta-feira, 20 Junho, 2007
Me ligam perguntando o que está acontecendo, eu respondo que nada está acontecendo
Me escrevem perguntando se eu estou bem. Posso contar nos dedos essa resposta.
Falam que isso vai passar. Eu sei, estão longe de descobrir “a vida eterna”- Nem os padres me convencem disso.
Dizem que foi culpa dos excessos. Porra, sem eles eu não estaria por aqui faz tempo.
Falam que é pra eu me cuidar. Eu entendo, mas pago muito bem ao plano de saúde. Deixo isso com eles.
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